sábado, 1 de setembro de 2012

Quando a Verdade Vem à Tona! (Parte II)


Carreguei Estela em meu colo até o banco mais próximo. Peguei um pequeno vidro com álcool, que eu deixava em meu bolso para desinfetar minhas mãos quando saísse do hospital, e fiz com que ela cheirasse. Aos poucos a irmã de meu amigo foi voltando a ficar consciente.


- Você está bem? – Perguntei.
- Acho que sim... – Ela sorriu. – Segunda vez no dia que você me ajuda... E que me salva. – Ela sorriu novamente.
- Não fiz nada mais que minha obrigação. 



- Ela está bem, filho? – Meu pai indagou.

Foi então que percebi que William Burns havia ido embora, e que meu pai permanecera ali.

- Está sim. Vai pra casa! – Falei. – Vou levar a Estela em casa e conversamos depois.
- Eu vou com vocês! – Meu pai falou.
- NÃO! – Berrei. – Vai pra casa! 



Levei Estela até sua casa e fiz questão de levá-la até a porta.
- Obrigada mesmo, Edward! Eu não sei como te retribuir por ter me dado notícias do meu irmão e por ter me ajudado na praça. – Estela foi simpática.
- Eu sei... Você poderia me contar ao menos um pouco do que aconteceu no passado. – Falei diretamente. – Não precisa ser agora, já que você passou mal... Mas pode ser depois... 



- Edward, eu sinto muito... Mas eu sou só um mera figurante nessa história... Quem tem de contar isso tudo é quem sabe mais... O John... O seu pai... – Notei que Estela falou meio receosa.
- Contar o que? – Indaguei curioso.
- O que o passado te esconde... O que você nunca soube... Toda família tem seus segredos... A sua também. 



- Eu sou adotado? É isso? – Perguntei a Estela.
- Não. – Ela riu levemente. – Ser adotado não é um “problema”. Mas lembre-se, Edward: não julgue ninguém por atos do passado. Todo mundo mente, todo mundo trai, mas todo mundo sofre...
- Estela, você não está me ajudando em nada. 



Senti meu telefone vibrar no bolso. Era uma mensagem que dizia: “Amor, o John acabou de chegar! Você ainda está em plantão? Quando terminar me liga! Beijos!”.
Botei o telefone novamente no bolso e voltei-me para Estela.
- Me ajuda! 



- Edward, não cabe a mim te contar... Eu não sei de quase nada... Eu só sei do meu acidente... E acho que isso é obrigação do John te contar. Ele é teu amigo.
- Acidente? Que acidente?
- O acidente que me deixou em coma por quase seis anos... O John dirigia o carro... Mas isso ele que tem que contar. 



Eu teria me manifestado novamente se uma senhora não tivesse chegado à varanda. Ela morava ali e deduzi que fosse a mãe do John.
- Estela, o que aconteceu? Você foi presa? Eu te falei pra não sair investigando o desvio de verbas da prefeitura! – A senhora se manifestou.
- Não, mãe. – Ela sorriu
- Boa noite! – A cumprimentei. 



Ela virou-se para mim e respondeu:
- Boa noite. – Notei que ela ficou me encarando um pouco. – Você deve ser o filho da Catarina e do William né?
- Sim... Você conhece eles? – Perguntei curioso.
- Sim... Meu marido, Edgar, foi muito amigo do William. Obrigado por nos trazer notícias do John!
- Não foi nada! Bem, preciso ir! – Virei-me para Estela. – Se cuida! 



Fui para minha casa a toda velocidade. Primeiro iria falar com o John. Ele precisava me dizer se aquilo sobre a noite da traição era verdade ou não. 



Estacionei o carro e entrei correndo em casa. Ao entrar na sala, John e Carol estavam em pés me aguardando:
- Cara, você deu um susto na gente! – John falou ao me ver.
- Amor, o teu pai te ligou desesperado! Aconteceu alguma coisa? – Carol perguntou preocupada.
- Que bom que você está aqui, John! Carol, por favor, nos deixa a sós? Eu preciso ter uma conversa de homem pra homem com o meu “amigo”. – Falei em tom irônico.

* * * Notas * * *
É semana que vem! \õ/ Todos descobrirão o grande segredo \õ/