Carreguei Estela em meu colo até o banco mais
próximo. Peguei um pequeno vidro com álcool, que eu deixava em meu bolso para
desinfetar minhas mãos quando saísse do hospital, e fiz com que ela cheirasse.
Aos poucos a irmã de meu amigo foi voltando a ficar consciente.
- Você
está bem? – Perguntei.
- Acho que
sim... – Ela sorriu. – Segunda vez no dia que você me ajuda... E que me salva.
– Ela sorriu novamente.
- Não fiz
nada mais que minha obrigação.
- Ela está
bem, filho? – Meu pai indagou.
Foi então
que percebi que William Burns havia ido embora, e que meu pai permanecera ali.
- Está
sim. Vai pra casa! – Falei. – Vou levar a Estela em casa e conversamos depois.
- Eu vou
com vocês! – Meu pai falou.
- NÃO! –
Berrei. – Vai pra casa!
Levei
Estela até sua casa e fiz questão de levá-la até a porta.
- Obrigada
mesmo, Edward! Eu não sei como te retribuir por ter me dado notícias do meu
irmão e por ter me ajudado na praça. – Estela foi simpática.
- Eu
sei... Você poderia me contar ao menos um pouco do que aconteceu no passado. –
Falei diretamente. – Não precisa ser agora, já que você passou mal... Mas pode
ser depois...
- Edward,
eu sinto muito... Mas eu sou só um mera figurante nessa história... Quem tem de
contar isso tudo é quem sabe mais... O John... O seu pai... – Notei que Estela
falou meio receosa.
- Contar o
que? – Indaguei curioso.
- O que o
passado te esconde... O que você nunca soube... Toda família tem seus
segredos... A sua também.
- Eu sou
adotado? É isso? – Perguntei a Estela.
- Não. –
Ela riu levemente. – Ser adotado não é um “problema”. Mas lembre-se, Edward:
não julgue ninguém por atos do passado. Todo mundo mente, todo mundo trai, mas todo
mundo sofre...
- Estela,
você não está me ajudando em nada.
Senti meu
telefone vibrar no bolso. Era uma mensagem que dizia: “Amor, o John acabou de
chegar! Você ainda está em plantão? Quando terminar me liga! Beijos!”.
Botei o
telefone novamente no bolso e voltei-me para Estela.
- Me ajuda!
- Edward,
não cabe a mim te contar... Eu não sei de quase nada... Eu só sei do meu
acidente... E acho que isso é obrigação do John te contar. Ele é teu amigo.
-
Acidente? Que acidente?
- O
acidente que me deixou em coma por quase seis anos... O John dirigia o carro...
Mas isso ele que tem que contar.
Eu teria
me manifestado novamente se uma senhora não tivesse chegado à varanda. Ela
morava ali e deduzi que fosse a mãe do John.
- Estela,
o que aconteceu? Você foi presa? Eu te falei pra não sair investigando o desvio
de verbas da prefeitura! – A senhora se manifestou.
- Não,
mãe. – Ela sorriu
- Boa
noite! – A cumprimentei.
Ela
virou-se para mim e respondeu:
- Boa
noite. – Notei que ela ficou me encarando um pouco. – Você deve ser o filho da
Catarina e do William né?
- Sim...
Você conhece eles? – Perguntei curioso.
- Sim...
Meu marido, Edgar, foi muito amigo do William. Obrigado por nos trazer notícias
do John!
- Não foi
nada! Bem, preciso ir! – Virei-me para Estela. – Se cuida!
Fui para
minha casa a toda velocidade. Primeiro iria falar com o John. Ele precisava me
dizer se aquilo sobre a noite da traição era verdade ou não.
Estacionei
o carro e entrei correndo em casa. Ao entrar na sala, John e Carol estavam em
pés me aguardando:
- Cara,
você deu um susto na gente! – John falou ao me ver.
- Amor, o
teu pai te ligou desesperado! Aconteceu alguma coisa? – Carol perguntou
preocupada.
- Que bom
que você está aqui, John! Carol, por favor, nos deixa a sós? Eu preciso ter uma
conversa de homem pra homem com o meu “amigo”. – Falei em tom irônico.
* * * Notas * * *
É semana que vem! \õ/ Todos descobrirão o grande segredo \õ/











